terça-feira, 27 de novembro de 2018

MISSÃO DA ODZH A DJETA

Uma equipa mista composta por técnicos da ODZH, GPC e IMPA realizou uma missão de contatos e reuniões com autoridades locais no período que vai de 26 de setembro a 1 de novembro de 2018. No terreno, dois elementos da associação «DJOTCHETCHENGLAR» juntaram-se a equipa para apoiar e facilitar nos contactos locais em Jeta, Dapak, Boté e Caió.
A educação ambiental ao nível das comunidades locais, e a necessidade de despertar consciência ecológica na sociedade através da conscientização dos atores sociais de diversas esferas, visando a compreensão da problemática ambiental, bem como, a relevância de adoção de novos comportamentos e atitudes face à degradação e eventuais ameaças aos recursos naturais.
As condições ambientais, a produtividade dos ecossistemas marinhos e costeiros da zona em causa, fazem do setor de Caio um importante espaço para as rotas de migração e muitas aves escolhem no como sítio de nidificação e reprodução.
A missão teve como objetivo reforçar a sensibilização através da educação ambiental de diferentes grupos de interesse para a proteção e conservação da colonia de Bantambur e contactar todas as partes concernentes com vista preparar uma reunião para discussão, aprovação e posterior assinatura de um Convénio relativo à gestão responsável do sítio - Bantambur.







quinta-feira, 18 de outubro de 2018


PAPAGAIO BIJAGÓ ENDANGERED ON IUCN RED LIST 

Papagaio bijagó (Psittacus timneh) é uma espécie endémica e ameaçada, das florestas húmidas da África Ocidental, colocada na categoria de espécies em perigo na Lista Vermelha da UICN, dado ao declínio rápido da sua população devido a perda de habitats, comercio e caça dirigida. A combinação múltipla de procedimentos de investigação visando conhecer a distribuição, tendências e ameaças da espécie na Guiné-Bissau, onde os Psittacus timneh se conclave ao Arquipélago dos Bijagós e Pexixe. As observações diretas conduzidas ao longo de transectos nas 19 ilhas permitiram anotar a presença de 69 grupos de papagaios bijagós em 8 delas. 78% destes grupos foi observado em 2 ilhas. As entrevistas nas comunidades, embora tenham dado como certo a presença desta espécie em 20 ilhas, confirmam o declínio populacional nas últimas décadas. Assim, os trabalhos realizados até aqui permitem estimar a população desta espécie na Guiné-Bissau. O Papagaio bijagó ocorre em 22 das 32 ilhas, na ordem de várias centenas de indivíduos. A metade da população, ocorre, talvez, em João Vieira e Meio. As investigações de fatores de variação entrilhas relacionada com a densidade populacional apontam para a alta densidade nas ilhas remotas com menor permanência e atividade humanas. A significância dessa relação tem que ver com atividades humanas na modificação de habitats e na caça como principais fatores que conduziram ao declínio da população de Psittacus timneh na Guiné-Bissau.

In Bird Conservation International, page 1 of 13. © BirdLife International, 2018

Autores: DANIEL C. LOPES, ROWAN O. MARTIN, MOHAMED HENRIQUES, HAMILTON MONTEIRO, PAULO CARDOSO, QUINTINO TCHANTCHALAM, ANTÓNIO J. PIRES, AISSA REGALLA and PAULO CATRY

Fotos: Hamilton Monteiro


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

População da Ganga está em perigo
em Ntchugal, Sector de Nhacra

Balearica pavonina conhecida na Guiné-Bissau por Ganga é uma espécie residente do Sahel (Senegal, Gâmbia, Guiné-Bissau até o Chade na África Central). Uma subespécie cujo comportamento indica ter concentração significativa nas zonas húmidas, nos estuários e de preferência nas áreas de frequente inundação e de cultivo de arroz.
Gamga é uma espécie vulnerável a nível global de acordo com a Lista Vermelha da UICN. A sua população tem sofrido declínio rápido devido a perda de habitats, captura para domesticação, caça e comercio illegal. Ameaças que, se não forem controladas poderão, no futuro próximo, provocar o desaparecimento da espécie.
A espécie está ao abrigo de diversos acordos e convenções internacionais dos quais a Guiné-Bissau é parte, designadamente, Acordo sobre a Conservação das Aves Aquáticas Migratórias da África-Eurásia (CMS), Convenção sobre as Espécies Migradoras e Fauna Selvagem, bem como de CITES.
Em 1999, pelo estado de ameaça da sua população, a Fundação Internacional (ICF) e a Wetlands International lançaram um programa para sua conservação ao nível da África, principalmente na Nigéria, Mali, Senegal, países onde a situação é mais crítica. O programa incluiu outros países e regiões onde se observava um número significativo de Gangas. Objetivo era de melhorar o estado da conservação da sua população através da sensibilização das populações locais e recuperação dos principais habitats desta espécie emblemática.
A Guiné Bissau no quadro desse programa, teve resultados satisfatórios, ao exemplo do projeto de Restauração de Bolanhas de Mansôa e Conservação de Ganga com as comunidades de Cussana e Cusentche. Conseguiu-se estimar em 2001, a população não reprodutora em 1500 indivíduos nos vales dos rios Mansoa e Geba/Corubal. Apesar  do conhecimento parcial do tamanho do efetivo, não se sabe ainda,  o tamanho da população dos adultos reprodutoras nem se quer a tendência da população na Guiné-Bissau.
Com todo esse esforço de conservação, observa-se ainda em Ntchugal (no sector de Nhacra) e outras áreas de ocorrência de Ganga, uma forte pressão sobre a espécie. Numa visita de campo nos finais de dezembro de 2017, à Ntchugal e Mansôa, apercebemo-nos da existência da caça à ganga. Flagrámos um caçador com duas (2) cabeças de ganga na Tabanca de Ntchugal.  Nos messes seguintes, uma tentativa de caça em Mansoa foi abortada por um estudante amigo da  ODZH do Liceu Quemo Mané. E, nos dias 21 de setembro de 2018, uma equipa da SWISAID deparou na sua missão à Djalicunda com 3 indivíduos mortos (caçados) a serem comercializados na berma da estrada.
Considera-se a caça à ganga uma ameaça latente. Solicitamos uma intervenção urgente de entidades competentes GPC, IBAP, DGFF, Guarda Nacional, dministração local e poder tradicional para por cobro a situação e banir a prática, por esta espécie ser vulnerável a nível global de acordo com a Lista Vermelha da UICN. Assim, esta categoria de ameaça merece atenção da República da Guiné-Bissau como parte das várias convenções (CITES, CBD CMS etc.).

segunda-feira, 10 de setembro de 2018


A NOSSA VULNERABILIDADE É REFLEXO
DO NOSSO POUCO CUIDADO COM O AMBIENTE

O CECI e a UICN haviam colaborado com a Direção-geral das Florestas e Caça (DGFC), hoje denominado pela revisão da Lei florestal de 2011, Direção-geral das Florestas e Fauna (DGFF), desde 1988. A UICN ainda está no país e contribuiu e contribui imensamente na criação e consolidação de capacidades das instituições nacionais estatais e de sociedade civil, visando promover a cultura de cidadania ambiental pró desenvolvimento sustentável.
Criaram-se instituições e organizações ambientalistas sólidas. Todavia, até hoje, passados 20 anos, não se conseguiu atingir o objetivo específico derivado deste esforço estratégico: a efetivação da cultura de cidadania ambiental no país. No geral deste tempo todo, nem se quer conseguimos saber quem somos e quais riquezas possuímos, e como valorizá-las.
Justamente, ao virar da esquina, de Bissau a Varela, de Bissau a Buruntuma e Boé e de Bissau a Cassumba e Unhocomo, encontramos cidadãos ilustres a transformar a natureza em um elemento nocivo a sua própria existência, quando fazem tudo para destruir as zonas húmidas, as florestas e a biodiversidade associada a esses ecossistemas únicos do país e da região. Esse esforço de alguns ilustres cidadãos em destruir a natureza e os recursos pode ter impactes catastróficos para as populações rurais e para as cidades, Bissau principalmente.
Na década de 90 do século passado a Guiné-Bissau, segundo dados do IPCC era o 12º país mais vulnerável do mundo. Em 2018 essa avaliação aponta o nosso país como o 2º mais vulnerável às mudanças climáticas. Os cientistas deste grupo estão alertando as autoridades nacionais de vários países em várias latitudes e essencialmente as nossas para um fato real – o clima já não é o que era, e devemos nos prevenir e estarmos preparados para enfrentar fenómenos nunca antes vistos em muitas zonas do globo. Bissau com os seus cerca de 600000 habitantes pode vir ocasionalmente a confrontar-se com situações de calamidade natural.
Um país plano como o nosso, em que o mar penetra até 150 km para o interior continental devia tomar consciência da sua condição natural desfavorável perante às mudanças do clima para assim poder desenvolver estratégias de mitigação dos riscos. Nunca teremos capacidade para enfrentar situações de emergência, estando perante uma catástrofe natural efetiva.
Com as chuvas e vento do dia 27 de junho de 2018 e dos dias 5, 6 e 7 de agosto, as populações de Bissau viveram uma situação de pânico em certas zonas. Houve danos materiais avultados que o próprio Estado não está em condições de contabilizar e as vidas humanas perdidas tragicamente são condicionantes para criarmos um sistema de alerta precoce e de prevenção à destruição das florestas e zonas húmidas existentes, por serem elementos naturais que contribuem para nos defender, protegendo-nos dos ventos, servindo-se de reservatórios para o caso de inundação, filtrando a água, reciclando os poluentes e protegendo as nossas costas.
O modelo de desenvolvimento que se assente em enriquecimento rápido sem olhar a meios, destruindo as nossas florestas, as nossas zonas húmidas, os mangais e a relação secular entre a cultura e a natureza é desastroso para a Guiné-Bissau.
O Eixo Biodiversidade e Capital Natural consubstanciado no quadro do Programa Operacional Terra Ranka e a sua Matriz de Resultados e Indicadores integrados e alinhados com Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, Agenda 2063, Roteiro de Samoa e a Avaliação de Fragilidade validado à 6 de Julho de 2018 deve ter uma percepção clara da vantagem comparativa que a Guiné-Bissau pode apresentar, quando valoriza os seus recursos biológicos, aliando a conservação à exploração sustentável dos mesmos

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

REDUZIR PLÁSTICO EM BISSAU

A ODZH, em solidariza-se com a Secretaria do Estado do Ambiente na luta contra o plástico, levou para as ruas os membros, numa ação de cidadania ambiental que teve lugar nas imediações do INEP, UAC, Escola Justado Vieira e espaço verde, para a coleta de todo lixo plástico encontrado. O ato aconteceuno dia 25 de agosto as 10h30 de Bissau.




sexta-feira, 27 de abril de 2018

Baleias observadas no Arquipélago de Bolama-Bijagós



Foi reportado ao IBAP a visualização de cetáceos num grupo bastante numeroo, que aparentavam ser e, com muita certeza, baleias-piloto no Parque Nacional Marinho de João Vieira e Poilão, Arquipélago de Bolama-Bijagós, Guiné-Bissau. A observação foi feita no dia 17 de abril de 2018 por Rita Gonçalves rita_gom@hotmail.com e Scott Wilson scottwilso@gmail.com quando navegavam no barco Africa Princess do PNO para PNMJVP.
Dado que, o evento deste tipo é raro nas águas da Reserva da Biosfera do Arquipélago de Bolama-Bijagós, os visitantes decidiram, atender o pedido do director do PNMJVP, António Pires, reportando o acontecimento ao IBAP.




segunda-feira, 23 de abril de 2018

Bella

Chimpanzés Bô e Bella emigram para o Quénia


Estamos aqui a falar de uma transferência e não de uma doação. Porque, assim que a Guiné-Bissau tiver condições e estruturas necessárias para o acolhimento e manutenção de chimpanzés em cativeiro, poderá solicitar ao santuário o reenvio destes animais. As operações desta natureza, envolvendo primatas não humanos são permitidas pela Convenção sobre a Diversidade Biológica (CBD) e Convenção CITES de que a Guiné-Bissau é parte
É praticamente impossível a reintrodução no habitat natural depois de um certo período de convivência com os humanos em cativeiro. Por este fato, a Guiné-Bissau e, por não possuir estruturas capazes de manter chimpanzés em cativeiro, o IBAP, juntamente com os parceiros nacionais e internacionais, iniciou em 2016, um processo de contactos com organismos internacionais que, pudessem orientar-nos sobre as modalidades a adotar para a translocação de primatas não-humanos. Para esse efeito, contatou-se o PASA – Programa Internacional para a Conservação dos Primatas. Assim, na sequência destes demarches, o Santuário de Sweetwaters no Quénia, se disponibilizou para acolher o Bô e a Bella.
Em 2015, o IBAP acolheu na sede do Parque Natural das Lagoas de Cufada em Buba, a Bô, uma chimpanzé, recuperada dos malfeitores durante uma ação de patrulhamento numa área protegida. Em 2016, foi recuperada a Bella, uma outra chimpanzé, que estava sob proteção do Comando da Guarda Nacional de Mampatá-Forea. Bô e Bella, são da espécie Pan troglodytes verus, da África Ocidental, integralmente protegida. Por isso, constam da Lista Vermelha da UICN, com o estatuto de espécie criticamente ameaçada de extinção (o segundo nível mais elevado de ameaças) e do Anexo I da CITES – Convenção Sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção, ratificada pela Guiné-Bissau.
A transferência foi um processo moroso e cuidadosamente preparada como a única solução de recuso encontrada, respeitando todas regras internacionais e as exigências da CITES, da IATA, no qual estão implicadas a Direção-geral das Florestas e Fauna (Ponto Focal da CITES) e a Direção-geral da Pecuária e um laboratório especializado no estrangeiro, a Direção-geral da Alimentação e Veterinária da Região de Lisboa e Vale do Tejo, Portugal e do CIBIO-InBio (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, da Universidade do Porto, Portugal) através de uma investigadora pós-doutoral especialista em primatas não-humanos. A Delegação da União Europeia, foi um parceiro fundamental, tendo apoiado nos aspetos técnicos, financeiros e de contacto com as instituições chaves para facilitar a transferência destes animais.
Os custos ligados a esta operação foram suportados por diversos parceiros, à saber, a União Europeia, a ONG Chimbo, Project PEGAS da Ol Pejeta Conservancy e a Fundação Born Free.
A viagem para o Quénia destes dois animais está prevista para o dia 25 de abril do ano em curso